UNIVERDADADE ESTADUAL VALE DO ACARAÚ (UEVA)
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS (CCH) INSTITUTO DE APOIO AO DESENVOIMENTO DA UNIVERSIDADE – IADE/UVA
ESPECIALIZAÇÃO EM ENSINO DE HISTÓRIA DO CEARÁ (E.E.H.C.) DISCIPLINA: METODOLOGIA DO ENSINO EM HISTÓRIA
Sobral - CE - JAN/2010
Fazendo uma releitura sobre a História da África que nos foi ensinada nos bancos escolares.
Mediadores:
Antonio Wesley Parente Silva
Fca. Hélia Linhares Rodrigues
Guilardo Aragão Maia
Socorro Mara Torres de Melo
Raimundo Castro Junior
Raquel Rodrigues Mota
Tiago Sampaio Carneiro
Vera Lúcia de Souza
Público Alvo:
· Alunos da rede pública estadual da Escola de E.E.F.M. Israel Leocádio de Vasconcelos, cursando o ensino médio regular.
APRESENTAÇÂO
Este projeto tem como ponto de partida, despertar nos alunos da E.E.F.M. Israel Leocádio de Vasconcelos, uma visão crítica, sobre o que foi e o que realmente seria a História da África. Procurando, fazer uma reflexão sobre a História da África que lhes foi ensinada e legitimada durantes vários anos nas escolas. Mostrando a África como um continente homogêneo, agrafo, pobre habitado por um único povo e por uma única raça:- a negra. História que lhes foram ensinadas como verdade absoluta, sem que houvesse uma reflexão e um questionamento consistente, sobre o que seria realmente o continente africano e o qual seria a sua real História.
A discussão propõe instigar nos alunos a perceberem o legado que foi deixado pelos habitantes desse continente em nossa cultura e perceberem os vestígios da cultura africana em nossa sociedade, seja através de topônimos de lugares como MUCAMBO ou através de vocábulos do dia-a-dia, sem esquecer a música, a arte, a culinária e as religiões aministas que ainda hoje estão presentes em nossa sociedade.
Levando os alunos a compreenderem através da interdisciplinaridade e até mesmo da transdisciplinalidade a importância da cultura africana para a formação da sociedade nacional, regional e local e bem como a superarem os estereótipos construídos ao longo destes cinco séculos de rejeição cultural imposta pelo colonizador europeu,mediante sua visão eurocêntrica de mundo.
JUSTIFICATIVA
Fazer uma releitura sobre a História da África, tentando desconstruir as imagens preconceituosas, que ao longo dos séculos foram construídas e legitimadas sobre esse continente, a partir, de uma visão preconceituosa e eurocêntrica. Procurando fazer uma reconstrução e paralelamente uma reflexão dessa visão destorcida, simplista e generalizante que se têm sobre o continente africano e a cultura afro-brasileira. Tentando; deixar de lado, seus problemas e contrastes sociais, procurando perceber como realmente esses sujeitos constroem sua história.
OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS
GERAL
v Despertar nos alunos a consciência crítica lhes propondo o repensar sobre qual História da África que nos foi ensinada nos bancos escolares. Propondo-os novas possibilidades de reflexão sobre o que aprenderam.
ESPECÌFICOS
ü Mudar a visão preconceituosa que se tem sobre a África como:
a. Um continente pobre e miserável;
b. Habitada apenas por negros;
c. Um lugar repleto de doenças como a AIDS
d. Marcada e devastada por fome e guerras;
e. Um continente de analfabetos;
f. O pior lugar do mundo para se viver.
ü Possibilitar aos alunos uma reflexão sobre que História da África lhes eram ensinados anteriormente:
ü Despertar nos alunos o sentimento de alteridade e crticidade:
ü Desconstruir o racismo e as imagens preconceituosas que foram construídos sobre África e o negro.
ü Tentar desconstruir a imagem que se tem do negro como coitado, escravo, sujo, fedorento, que tem que apanhar, ou mesmo, o de herói em alguns casos.
ü Mostrar a importância do trabalho do negro no período Colonial e Regencial.
ESTRATÉGIAS / AÇÔES
Para execução do projeto “Fazendo uma releitura sobre História da África nos bancos escolares”, iremos dar aulas expositivas para os alunos, trabalhando textos, gravuras, imagens e letras de músicas que nos ajude a conseguir atingir os objetivos desejados, além da apresentação de imagens que ao longo dos anos de estudo, criaram em nossas mentes visões destorcidas do negro e do continente africano. As imagens que nos foram apresentadas acabaram criaram o estereotipo do negro apenas como escravo, uma raça inferior à branca na sociedade. E posteriormente abriremos o espaço para as discussões em grupo sobre o tema proposto mediante uma mesa redonda com os alunos.
CRONOGRAMA DE EXECUÇÂO
JANEIRO
01 a 08
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11 |
18 a 19 |
25 a 27 |
29 |
Elaboração do Projeto |
Apresentação do projeto à Escola |
Prepara material para realização da aula, reservar espaço físico
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Realização das aulas e discussões |
Avaliação e mostra dos resultados da discussões |
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
- O continente africano: diversidade e riqueza cultural. Porque estudar a história da África? Os troncos lingüístico-culturais. A África antes dos europeus – Reinos de Gana, Mali, Songhay e a expansão banta.
- A ocupação européia e a escravidão. Séculos XV ao XIX. A escravidão na Costa do ouro e na Guíné. A escravidão em Angola e Congo. Resistência contra escravidão – Nzinga.
- A partilha do continente africano no século XIX. A África sob dominação colonial: economia, método e instituições. Submissão e resistência na África (1880-1914). O neocolonialismo – As conquistas inglesas, francesa, belga, alemã e italiana. Samori, Menelik e Chaca Zulu: heróis negros contra as invasões européias.
- Etiópia símbolo da África livre e da diáspora.
- A África contemporânea: o pós – independência, as guerras “étnicas”, a AIDS.
- História da Cultura negro – diaspórica: Cultura negra no Brasil – religiões e manifestações culturais: reinos congos no Brasil. As perseguições à cultura negra no final do século XIX – o caso da capoeira, o samba e os maracatus. Religiões negras candomblé/xangô/batuque/tambor de mina. Formação de umbanda no Brasil.
- Raça, preconceito racial, religião (s), gênero e orientação sexual.
RECURSOS
Materiais: caneta, papel, pincel, data show, apostilas, computador, etc. |
Humanos: professor, aluno e os outros membros que compõem a escola. |
AVALIAÇÂO
A avaliação será feita de forma oral, onde os alunos irão dar depoimentos ao final das aulas sobre a imagem que tinham sobre o negro e o continente africano e o que mudou a partir das discussões feitas em sala de aula.
ANEXOS
ALGUNS VOCABULOS AFRO-BRASILEIROS
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Abadá - Túnica branca.
A-I-É - Festa religiosa e profana dos Afro-brasileiros no primeiro dia do ano. "No primeiro de janeiro, costumavam dar uma função, para a qual se cotizavam com antecedência, era a festa chamada A-I-E. 0 objetivo era cumprimentar o Ano Novo,augurando felicidades e boa colheita para todos".
Atabaque - Tambores primários feitos com peles de animais.
Axé - Energia vital, sagrada, do orixá. A força que está nos elementos da natureza, como animais, plantas, sementes e outros.
Bem-Casados - Nome de um biscoito. Veio da África Ocidental.
Candomblé - Festa Afro-brasileira religiosa dos negros Jejê-nagôs no Brasil.
Capoeira - Arte marcial de origem Afro. Foi introduzido no Brasil pelos escravos bantos da Angola.
Dendê - Fruto do dendezeiro (palmeira). 0 azeite a indispensável na culinária afro-brasileira.
Ere - É um orixá filho de Xangô. Entidade infantil, espírito menor, particular de cada iaô, que nasce durante a feitura de seu santo.
Exu-Também conhecido por Elegbára (ele=dono; agbára=poder).O representante das potências contrarias ao homem. Os africanos assimilam-no ao demônio dos católicos.
Mãe-de-santo ou Mãe-de-terreiro - Sacerdotisa do culto Jejê-nagô, dirigindo a educação sagrada das filhas-de-santo ou cavalo-de-santo.
Mandinga - Feitiço, despacho, mau-olhado. Os negros mandingas eram tidos com os feiticeiros incorrigíveis dos vales do Senegal e do Níger.
Moçambique - Dança africana, como explica a palavra. Foi conhecida e usada nos sertões pelos primeiros escravos mineiros trazidos para o trabalho da extração de ouro.
Oxalá - O maior dos orixás, entidade andrógina, a maior tradição religiosa como sobrevivência afro-brasileira. Orixalá ou Oxalá tem um caráter bissexual e simboliza as energias produtivas da natureza. Esse caráter andrógino de Oxalá e evidente nos seguintes cânticos do candomblé da Bahia: É representado por meio de conchas ou cauris, limão verde dentro de um circulo de chumbo.Pela convergência a força de aculturação , Oxalá identificou-se como o mais popular e prestigioso culto de toda a Bahia. 0 dia do culto especial de Oxalá e a sexta-feira. Ora, identificado como está com o Senhor do Bonfim( Santo de maior devoção entre o povo da Bahia) , pode-s dizer que Oxalá tem, semanalmente, o culto mais ruidoso da Bahia. Todas as Sextas-feiras peregrinas dos subúrbios, da própria cidade e das circunvizinhanças vêm em romaria visitá-la e implorar-Ihe proteção e auxílio. A falta de um deus supremo, por assim dizer palpável, os negros, Jejê-nagôs ou bantos, adoram Oxalá , um mito primitivo. Mora no alto de um monte, como na África.
Sinhá - Corruptela de senhora. Termo originariamente usado pelos escravos africanos para chamarem as mulheres dos seus senhores, chamando, porem, as filhas de sinhazinha ou sinhá moça. Sinhá é gente de boa família, bem educada, gente fina.
Sinhô - Corruptela de senhor. Termo originariamente usado pelos escravos africanos para chamarem os seus senhores, chamando, porem, os filhos de sinhozinho ou sinhô moço.
Vatapá - Tradicional prato da cozinha afro-brasileira.
Yemanjá - Ye omo eja = Mãe dos filhos peixe, ou ,Yéyé omo ejá ( mãe cujo os filhos são peixes)
Quilombo, o el dorado Negro
Composição: Gilberto Gil e Waly Salomão
Existiu
Um eldorado negro no Brasil
Existiu
Como o clarão que o sol da liberdade produziu
Refletiu
A luz da divindade, o fogo santo de Olorum
Reviveu
A utopia um por todos e todos por um
Quilombo
Que todos fizeram com todos os santos zelando
Quilombo
Que todos regaram com todas as águas do pranto
Quilombo
Que todos tiveram de tombar amando e lutando
Quilombo
Que todos nós ainda hoje desejamos tanto
Existiu
Um eldorado negro no Brasil
Existiu
Viveu, lutou, tombou, morreu, de novo ressurgiu
Ressurgiu
Pavão de tantas cores, carnaval do sonho meu
Renasceu
Quilombo, agora, sim, você e eu
Quilombo
Quilombo
Quilomb
PAÍSES AFRICANOS
REGIÕES AFRICANAS
BIBLIOGRAFIA
PEREIRA, Amauri Mendes. Porque estudar a história da África? Cadernos CEAP. Rio de Janeiro, 2006.
PEREIRA, José Maria Nunes. África um novo olhar. Rio de Janeiro: Cadernos CEAP 2006.
SERRANO Carlos; WALDMAN, Maurício. Memória D’ África – a temática africana em sala de aula. São Paulo: Ed. Cortez, 2007.
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SILVA, Alberto Costa e. A manilha e o libambo. A África e a escravidão, de 1500 a 1700. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.
SILVA, Alberto da Costa e. Francisco Félix de Sousa – Mercador de escravos. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004.
OLIVER, Roland. A experiência Africana – da pré-história aos dias atuais. Jorge Zahar, Rio de Janeiro: 1994.
MUNANGA, Kabengele. Identidade étnica, poder e direitos humanos. Thot África, nº 80, 2004, p. 19-30.
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KI-ZERBO, Joseph. Para quando África? Entrevista com René Holenstein. Rio de Janeiro Ed. Pallas, 2006.
HASEMBALG, Carlos A; MUNANGA, Kabengele; SCHARCZ, Liliam Mortiz. Estudos e pesquisas – racismo: perspectivas para um estudo contextualizado da sociedade brasileira. Niterói: Ed. UFF, 1998.